Elo7 fechou: quanto o Shopee e o Mercado Livre tiram do seu laço
Elo7 acabou em maio de 2026. Veja quanto Shopee e Mercado Livre cobram de fato e a conta pra não vender laço de bebê no prejuízo nos dois.
No dia 11 de maio de 2026 a Enjoei apagou a luz do Elo7 de vez. Quinze anos de marketplace voltado pra quem faz artesanato, encerrados de um mês pro outro, e um bocado de ateliê de laço de bebê que vivia quase só daquela vitrine ficou sem canal de venda da noite pro dia.
A saída óbvia foi migrar pro Shopee ou pro Mercado Livre — generalistas, com muito mais gente circulando do que qualquer marketplace de nicho. O problema é que quase ninguém migrou o preço junto. E aí o laço que dava lucro no Elo7 vira prejuízo silencioso na fatura do mês seguinte, porque o Pix continua caindo bonito na conta e ninguém para pra separar receita de taxa.
Minha leitura, depois de rodar a conta pros dois marketplaces mais óbvios: dá, sim, pra vender laço de bebê no Shopee e no Mercado Livre. Mas só funciona se você tratar a taxa da plataforma como um custo fixo — igual fita, cola e embalagem — e não como aquele desconto que “sai do lucro invisível” no fim do mês. Quem trata taxa como detalhe menor está trabalhando de graça sem perceber.
O que sobrou depois do Elo7 fechar
Hoje as opções realistas pra quem faz laço de bebê são três: Shopee e Mercado Livre como marketplace generalista de alto tráfego, e o canal direto — Instagram e WhatsApp — que já era, e continua sendo, onde a margem é maior porque não tem taxa de intermediação. Já escrevi sobre como vender laço de bebê no Instagram e no WhatsApp pra quem quer fortalecer esse canal em paralelo — ele não compete com marketplace, ele é o que sustenta a margem quando o marketplace aperta.
Uma diferença que pega gente de surpresa: marketplace generalista costuma exigir nota fiscal pra liberar a etiqueta de envio, mesmo em venda pra pessoa física — regra da própria plataforma, não da lei federal. Deixe essa rotina resolvida antes de publicar o primeiro anúncio, não depois que o pedido travar no envio.
Quanto o Shopee e o Mercado Livre tiram do seu laço de R$ 18
Peguei o mesmo laço boutique que uso nos meus exemplos de precificação — custo completo de R$ 12 (material, embalagem, mão de obra e despesas rateadas) vendido a R$ 18 — e rodei pelas duas tabelas de taxa vigentes.
O Shopee, na faixa de R$ 8 a R$ 79,99, cobra 20% do valor do produto mais R$ 4 fixos por item. O Mercado Livre, no anúncio Clássico da categoria Moda, cobra 14% mais um custo fixo de R$ 5,50 pra produtos entre R$ 10 e R$ 20. Sem mudar o preço de R$ 18, o resultado é este:
| Canal | Preço anunciado | Taxa da plataforma | Valor líquido | Custo do laço | Resultado |
|---|---|---|---|---|---|
| Instagram/WhatsApp direto | R$ 18,00 | R$ 0,00 | R$ 18,00 | R$ 12,00 | Lucro R$ 6,00 |
| Shopee | R$ 18,00 | R$ 7,60 (20% + R$ 4 fixo) | R$ 10,40 | R$ 12,00 | Prejuízo de R$ 1,60 |
| Mercado Livre Clássico | R$ 18,00 | R$ 8,02 (14% + R$ 5,50 fixo) | R$ 9,98 | R$ 12,00 | Prejuízo de R$ 2,02 |
Repito porque merece: o mesmo laço que dá R$ 6 de lucro direto no WhatsApp dá prejuízo nos dois marketplaces, no mesmo preço de etiqueta. Isso não é o Shopee sendo vilão — é matemática de taxa fixa em item de ticket baixo, e é a razão pela qual tanta artesã jura que “marketplace não compensa” sem nunca ter refeito a conta.
A conta que evita o prejuízo silencioso
A correção é simples: o preço no marketplace não pode ser o mesmo do canal direto. Ele precisa embutir a taxa e ainda deixar o lucro que você definiu. A fórmula que uso:
Preço no marketplace = (custo + lucro desejado + taxa fixa) / (1 - percentual da comissão)
Pro Shopee, com lucro-alvo de R$ 6: (12 + 6 + 4) / 0,80 = 27,50. Pro Mercado Livre Clássico: (12 + 6 + 5,50) / 0,86 = 27,30.
| Canal | Preço pra manter R$ 6 de lucro |
|---|---|
| Instagram/WhatsApp direto | R$ 18,00 |
| Shopee | R$ 27,50 |
| Mercado Livre Clássico | R$ 27,30 |
Na prática, o mesmo laço custa quase 50% mais caro no marketplace do que no seu canal direto — e isso não é você cobrando “mais caro à toa”, é o preço real depois de pagar a intermediação. Se uma cliente comparar as duas vitrines lado a lado (e ela vai comparar, é um clique), a diferença precisa fazer sentido: embalagem melhor, frete incluso, garantia mais clara. Cobrar o mesmo preço nos dois canais é decisão consciente de trabalhar com margem menor no marketplace — só que precisa ser escolha, não acidente de quem nunca refez a conta.
O contra-argumento honesto
Meu contra-argumento honesto: alcance vale dinheiro, e taxa de 20% sobre uma venda que você nunca teria feito de outro jeito ainda é melhor que taxa de 100% sobre uma venda que não aconteceu. Marketplace generalista bota seu laço na frente de gente que nunca ouviu falar do seu ateliê.
Mas você também passa a competir lado a lado com laço industrializado de fábrica saindo a R$ 5, e o algoritmo do marketplace não sabe diferenciar peça costurada à mão de item de esteira — ele ordena por preço e nota, só isso. Se o seu diferencial é o capricho artesanal, o marketplace funciona melhor como vitrine de descoberta do que como canal de fidelização: a cliente boa que te achou lá é a que você tenta trazer pro WhatsApp na segunda compra, onde a taxa não existe.
Onde isso te leva
Antes de publicar o primeiro anúncio, resolvi quatro coisas na minha operação, nessa ordem:
- Nota fiscal pronta pra emitir na hora do pedido — sem isso, a etiqueta de envio trava. O passo a passo está em nota fiscal do MEI pra vender laço de bebê.
- MEI ativo antes de abrir a loja, não depois da primeira venda — quem ainda não tem CNPJ, o caminho está em como abrir MEI pra vender laço de bebê.
- Frete calculado à parte da taxa da plataforma, porque em boa parte dos modelos de anúncio o custo de envio ainda é seu — vale rever a sua planilha de custo antes de cadastrar o primeiro preço.
- Escolher bem o primeiro anúncio a publicar, porque marketplace favorece quem já tem histórico de venda — antes de decidir qual modelo lançar primeiro, vale conferir quais modelos de laço mais venderam em 2026.
Refaça essa conta com o seu custo real, não com o meu R$ 12 — mas refaça antes de publicar, não depois de perceber que a fatura do mês não fechou.
Fontes
Escrito por
Renata Pacheco
Laços de bebê feitos à mão: passo a passo, técnicas e tendências


