Laço coquette: a tendência viral que devolveu o laço pro centro da moda
Renata Pacheco conta como a estética coquette, viral no TikTok e prevista pelo Pinterest pra 2026, mudou o que vende no ateliê de laço de bebê — e o que fazer com isso agora.
Em outubro do ano passado uma cliente me mandou um print do Pinterest e escreveu só isso: “queria um assim, mas em rosa mais claro”. Era um laço enorme, alças fartas, cetim com brilho suave e uma fita comprida caindo pra trás — o tipo de peça que eu teria descartado três anos atrás como “grande demais, ninguém vai usar isso no dia a dia”. Fiz mesmo assim. Vendeu antes de eu postar a segunda foto. Na semana seguinte vieram mais quatro pedidos parecidos, todos citando a mesma palavra que eu não usava no ateliê até então: coquette.
O que aconteceu
Coquette não nasceu em ateliê de bebê — nasceu em vídeo de adulto no TikTok, misturando laço grande, renda, tom pastel e referência a balé e a bonecas antigas. A hashtag #coquette já somava quase 18 bilhões de visualizações e 1,2 milhão de vídeos publicados até fevereiro de 2024, segundo levantamento da consultoria de mercado Accio sobre o fenômeno — número que não é de nicho, é de tendência mainstream virada moda de rua e depois moda de vitrine.
O Google Trends mostrou o mesmo movimento em número de busca: o termo “bow hair clips” (presilha com laço, em inglês) bateu pico de índice 94 em dezembro de 2024, puxado pelo Natal e pela virada do ano — e a mesma consultoria projeta alta de 20% a 30% nas buscas por acessório com laço no quarto trimestre de 2025 na comparação anual, com o movimento se espalhando pra moda masculina e unissex em 2026. Do lado editorial, o relatório Pinterest Predicts pra 2026 também aponta a renda — item que andava colado à estética coquette — entrando numa fase nova, com busca subindo por meia-calça de renda, acabamento de renda e transparência. O Pinterest divulga acerto de 88% nas previsões de tendência dos últimos seis anos, o que dá peso ao relatório além de achismo de blog de moda.
Pra quem trabalha com laço de bebê, a notícia boa é que a peça que sustenta a estética inteira já é o produto que a gente sempre soube fazer. Só que em proporção diferente da que o catálogo tradicional trazia.
Por que isso importa pra você
O laço clássico boutique de 9cm, que já detalhei em laço chanel — o modelo que nunca sai de moda, continua vendendo — é o item que não sai do catálogo nunca. O laço coquette não substitui ele, ele é outra faixa de produto: mais alça, mais volume, cetim ou fita de gorgurão largo (a partir de 50mm), e o detalhe que realmente carrega a estética — uma fita solta caindo da base, tipo “rabo de laço”, que o modelo clássico não tem.
Isso muda a lista de material e o preço. Um laço boutique de 9cm gasta cerca de 40cm de fita e fica entre R$ 0,90 e R$ 1,20 de material, como já mostrei em como precificar laço de bebê pra ter lucro. O coquette que fiz pra essa cliente levou quase o triplo de fita — duas tiras de 45cm pra alça mais a fita solta de 25cm — e ficou em torno de R$ 3,40 de material puro, sem contar que o franzido mais denso das alças pede mais tempo de bancada. Cobrei o dobro do laço clássico, e não teve reclamação: quem pede “aquele do Pinterest” já sabe que não é o laço de todo dia.
Tem outro ponto que eu só entendi depois de errar: cetim segura melhor esse volume grande do que gorgurão comum, porque cai com mais peso e não fica “duro” na alça. Já testei os dois lado a lado — vale revisar qual fita usar: gorgurão, cetim ou organza antes de cortar a primeira peça coquette, porque a fita errada faz a alça murchar em vez de armar.
Onde isso esbarra
Fita solta comprida é o próprio ponto que faz a estética funcionar — e é exatamente o ponto que exige mais cuidado em bebê pequeno. Rabo de fita de 20cm ou mais, se não for bem fixado, vira fio solto perto do pescoço.
Fora isso, o volume grande também não serve pra cabeça pequena de recém-nascido — a proporção fica desequilibrada, o mesmo problema que já expliquei em laço mãe e filha: por que copiar em escala não funciona. O laço coquette funciona melhor a partir de uns 6 meses, quando a cabeça já aguenta o peso e a proporção visual fecha.
O que fazer com isso agora
Não recomendo virar o catálogo inteiro pra coquette — é tendência forte, mas ainda é tendência, e o clássico que já vende sozinho continua sendo a base do faturamento. O que eu fiz, e recomendo:
- Adicione 2-3 modelos coquette na linha, não substitua o clássico. Cetim rosa-claro, marfim e um tom pastel de sua paleta já cobrem a demanda inicial.
- Precifique pelo material real, não pelo preço do laço clássico com “um pouco a mais” — o triplo de fita muda a conta, como mostrei acima.
- Reforce a fixação da fita solta com ponto extra, não só cola quente — é a parte que mais recebe puxão de mão de bebê curioso.
- Anuncie citando a referência: “estilo coquette”, “aquele do Pinterest”, “laço com fita” — é o termo que a cliente já está buscando, e usar a palavra certa no anúncio economiza pergunta repetida no direct.
- Meça a demanda por 30 dias antes de trocar foto de capa do catálogo inteiro. Se não vender no primeiro mês, o público da sua região ainda não chegou nessa estética — e não tem problema nenhum em esperar.
Fontes
- Accio — “Coquette Bow Trend 2025: TikTok’s Viral Fashion & Retail Impact”, com dado de visualizações da hashtag e projeção de crescimento de busca: accio.com/business/coquette_bow_trend.
- RTÉ — cobertura do relatório Pinterest Predicts 2026, incluindo o índice de acerto histórico da plataforma: Pinterest predicts the top fashion trends for 2026.
Escrito por
Renata Pacheco
Laços de bebê feitos à mão: passo a passo, técnicas e tendências


